"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas." — 2 Coríntios 5:17
Mas quem conhece o início da sua história faz uma pergunta inevitável:
Como alguém que traiu a própria família pode ser chamado de "o Justo"?
Essa pergunta nos leva ao coração da mensagem que C. S. Lewis desejava transmitir.
Em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, Edmundo é apresentado como um garoto dominado pelo orgulho, pela inveja e pelo egoísmo. Ao encontrar a Feiticeira Branca, ele se deixa seduzir pela promessa de poder e pelos manjares encantados. Em troca de satisfazer seus desejos, entrega informações sobre os próprios irmãos e acaba colaborando com os planos da Feiticeira.
Suas escolhas colocam sua família e toda Nárnia em perigo.
Lewis não escreveu essa parte apenas para mostrar um garoto que tomou más decisões. Ele estava retratando uma realidade muito maior: a condição do coração humano.
A Bíblia afirma:
"Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus." (Romanos 3:23)
Talvez nunca tenhamos traído nossa família como Edmundo, mas todos nós já escolhemos nosso próprio caminho em vez da vontade de Deus. O pecado sempre promete satisfação, mas termina trazendo culpa, dor e separação.
Era exatamente isso que estava acontecendo com Edmundo.
Quando tudo parecia perdido, Aslam faz algo completamente inesperado.
Em vez de exigir que Edmundo pague pelo seu pecado, o grande Leão oferece a própria vida em seu lugar. O inocente assume a condenação do culpado.
Essa é uma das cenas mais emocionantes de toda a literatura cristã porque aponta diretamente para a cruz de Cristo.
O apóstolo Paulo escreveu:
"Mas Deus prova o seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores." (Romanos 5:8)
Assim como Aslam tomou o lugar de Edmundo, Jesus tomou o nosso lugar. A dívida que era nossa foi paga por Aquele que nunca pecou.
Mas Lewis não encerra a história com o perdão.
Depois da vitória de Aslam sobre a morte, Edmundo também muda. O garoto orgulhoso se torna humilde. O egoísta aprende a servir. O traidor torna-se alguém digno de confiança. Ele continua sendo humano e sujeito a falhas, mas seu caráter agora reflete a transformação realizada pelo verdadeiro Rei.
É por isso que, anos depois, ele recebe um título surpreendente:
Edmundo, o Justo.
Esse título não significa que Edmundo nunca mais pecou. Significa que sua vida passou a ser conhecida pela justiça, pela sabedoria e pela fidelidade.
Esse é exatamente o propósito do Evangelho.
Jesus não morreu apenas para nos livrar da culpa do passado. Ele morreu para nos transformar.
Como afirma a Palavra de Deus:
"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas." (2 Coríntios 5:17)
A graça não apenas perdoa; ela transforma.
Talvez hoje você ainda carregue o peso dos seus erros. Talvez acredite que será lembrado para sempre pelo pior capítulo da sua história.
Edmundo também poderia ter sido conhecido para sempre como "o traidor".
Mas Aslam escreveu um novo capítulo.
Da mesma forma, Jesus faz conosco. Quando entregamos nossa vida a Ele, nossa identidade deixa de ser definida pelo pecado e passa a ser marcada pela graça.
C. S. Lewis queria que seus leitores percebessem exatamente isso: o Evangelho não é sobre pessoas perfeitas, mas sobre pecadores transformados pelo amor do verdadeiro Rei.
Como diz a Bíblia:
"Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus." (2 Coríntios 5:21)
Essa é a beleza da história de Edmundo.
O menino que um dia traiu seus irmãos tornou-se conhecido em toda Nárnia como Edmundo, o Justo.
E essa continua sendo a obra de Cristo hoje: transformar pecadores perdoados em pessoas que refletem Sua justiça.